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I love you, I love you, I love you, What’s your name?

Posted: segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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você disse: “eu amo você”
você disse isso
você disse isso pra mim
você disso isso para ela e para ela também
e você repetiu isso para ela

você disse para ela: “Ohhh, sweet child o’mine”!
era verdade,
ou você apenas aprendeu a repetir essa frase?

você disse: “eu te amo”
e aí minha pele sentiu o seu amor
foi um beliscão e tanto, aquele
você achou que estava fazendo o necessário para mim

você chegou em casa
mais uma noite
sua boca estava adornada
(e com certeza assim também havia sido pouco antes)
e você tirava o adorno, para transformá-la em uma chaminé
onde estava o seu volante?
quem dormiu na sua direção?
você estava sem controle
não tinha como me enganar: aquilo não era água
eu já ia dormir,
mas tragicamente, ela ainda estaria acordada
o que tinha de errado com seus olhos?
você via tudo vermelho
ela com certeza não era toureira.

e aí você foi embora
você continuava dizendo: “eu te amo”
fóruns e juízes
”eu te amo”
eu me interessava pelo que você tinha
”eu te amo”
você teve que ir de novo
e bem depois eu ia lá algumas vezes
e você disse para ela: “eu não quero ver você nem pintada de ouro”
e eu parei de ir lá, pq você mais uma vez teve que ir
(acredite: eu lhe te entendi nas duas vezes que você foi)

eu nem te vejo mais
eu nem me importo mais
eu estou aqui
e você disse: “eu te amo”
e você continua dizendo: “eu te amo”.

01:03

Posted: sábado, 3 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Quase uma da manhã, e cá estou eu nesse lugar semi-habitado. Estou com fome, o sono vem de leve e o tédio insiste para que eu saia daqui. E ainda por cima não tenho nada para escrever, nenhuma ideia legal, diferente de ontem (ou antes de ontem, sei lá!). E como resultado, sai essa TOSQUEIRA IMUNDA MEDÍOCRE DE PSEUDO-ESCRITOR. Mas que se foda, ninguém vai ler mesmo! Que se exploda quem vier me julgar - ninguém virá, embora eu quisesse, só pra arranjar briga no twitter.

Cansado de todas as músicas por hoje, mas meus ouvidos precisam de som quase o tempo todo. Essa coisa de necessitar ouvir música quase que constantemente às vezes é uma merda total. Eu fico sem saber o que ouvir. MAS QUE SE FODA DE NOVO, NINGUÉM TÁ INTERESSADO NOS MEUS PEQUENOS DRAMAS INDIVIDUALISTAS. Foda-se todo mundo!

Mas aí eu vou levando as coisas do jeito que dá, e que SE DANE o que vier pela frente.
Isso mesmo, palavrões em CAPS LOCK, porque a vida sem eles fica só o Num Lock: sem destaque algum e algo comum.

(Acabei de ver que já passa da uma da manhã, mas que SE DANE de novo!)

Mais alguma observação pra eu escrever palavrões?
Não??
Então, FODA-SE!!!

Os demônios e os homens

Posted: sexta-feira, 2 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Podemos dizer, para começar, que um dos regentes da humanidade é a preocupação. E dela derivam a angústia, o medo e, num estágio bem avançado, o desespero. E ao falar em desespero, me lembro quase que automaticamente do Raskolnikov (se a grafia dele não for exatamente essa, perdoem-me), o jovem desesperado, culpado e auto-perseguido protagonista do épico "Crime e Castigo", que vê até mesmo no nascer do sol (isso é um resumo-hipérbole da narrativa psicológica da obra) o delator de seu duplo crime - ele assassina uma velha agiota e logo em seguida a filha da mesma, esta última vítima não planejada que estava no lugar errado e na hora errada. Todos os humanos se preocupam com alguma coisa, seja essa coisa algo extremamente fútil ou algo de vital importância. O fato é que ninguém vivem em paz. Sempre há algo nos desvirtuando da serenidade. Isso sem falar dos medos, uma notável marca humana.
Tudo isso nos persegue, cerca-nos. Podemos chamar de demônios. Para os estúpidos conservadores de plantão, não me refiro a Lúcifer, sagaz em adquirir almas para o seu submundo. Demônios, seres obscuros. É isso, coisas obscuras que todo mundo consegue - às vezes consegue, às vezes não. Cada um tem um demônio particular, semelhante ao de alguém, mas único de alguma maneira.. Esses demônios provocam uma série de reações: tiram nosso sono, nos deixa aflitos, tira nossa atenção. Nos tira do caminho, de fato. É uma coisa toda muito louca.
Aí, só resta a cada um esconder seus demônios. Quase sempre por vergonha. Não serei hipócrita e dizer que não tenho e não escondo os meus: eu tenho muitos, alguns eu guardo pra mim mesmo, e tento conviver com eles, porque essa é a única solução. Saber lidar com eles é a chave. Bater um papo com eles e dizer "olha, isso não foi legal, então precisamos mudar ou pelo menos melhorar isso" ajuda bastante. Isso não matará as criaturas obscuras, mas criará uma relação sadia com o deu Id. O problema está quando ignoramos, reprimimos, ou até mesmo encarceramos esses demônios. Eles vão tentar - e vão conseguir, mais cedo ou mais tarde - se libertar. As consequência serão desastrosas. E você não estará pronto para enfrentar isso. O começo de tudo será o próprio medo. Quem não se lembra de Nina Sayers, protagonista do também épico filme "Cisne Negro"? O filme conta o desafio de Nina em interpretar o Cisne Negro, sensual e sedutor, antagônico a Nina, pura e inocente. Ela começa a delirar com a pressão que está enfrentando com esse papel, e tudo porque reprime seu lado obscuro.
Um futuro pode ser a ditadura, a repressão. Você ignorou alguma caraterística de si, e então quer que todos comportem-se da mesma maneira que você. Você é algo equivocado, deixe-me substituir por NÓS. Tudo mundo faz isso. Todo mundo se envergonha de algo e não aceita aquilo em outra pessoa. Essa é a lógica do "exorcismo".
Acho que por enquanto é apenas isso. Essa é uma ideia que tem passado pela minha cabeça faz um tempo, e precisava desenvolvê-la em algum momento. Ninguém é obrigado a concordar com isso, são apenas ideias. Mas pelo menos tenham algum argumento para criticar, pois poderei concluir que isso não passa de uma repressão.


P.S: Assistam Cisne Negro. É um filme fantástico. Infos aqui

P.S.2: Leiam Crime e Castigo. Tenta mostrar o que leva a pessoa a cometer um crime e o que acontece com essa pessoa posteriormente de forma marcante, envolvedora, e dolorosa. Infos aqui

Democracia vs. Anarquia. (Ou não)

Posted: terça-feira, 23 de agosto de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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O poder feito para todos e por um conjunto certamente é tirânico. Tudo bem, são apenas divagações repentinas, sem nenhum preparo antecipado. É a tal da democracia. Até onde eu me lembro, é uma forma de governo onde se leva em consideração a vontade de todos. Ou melhor, da maioria. Mas será que vivemos realmente em uma democracia? Será que as ideias e os anseios de todos, absolutamente todos, são levados em consideração? A resposta: de jeito nenhum. Não é segredo para ninguém que muita gente é ignorada nos projetos políticos. Mas ainda assim essa ideia de “democracia” ainda é cultuada em grande parte do mundo – imagino eu.

E qual seria a razão disso? Acredito eu que haja várias. No Brasil, talvez seja pelo fato de, depois de mais de vinte anos de um regime militar ditatorial, a ideia de eleições diretas proporcionar para muita gente a sensação de liberdade. E talvez seja isso mesmo. Ou talvez não. Não sei explicar ao certo. São apenas ideias embrionárias, mas vamos em frente. O fato de muita gente poder escolher diretamente o seu representante, gera um conforto enorme, as pessoas sentem que têm algum valor.

Mas, e por que isso não seria uma democracia? Simples. Para mim (e essa é uma ideia recente) não há democracia sem uma anarquia individual. E o que seria essa “anarquia individual”? Seria uma pessoa sem nada nem ninguém a controlando. Ela seria livre para tomar suas próprias decisões, fazer suas próprias escolhas. Além disso, cada pessoa teria suas próprias ideias, semelhantes umas às outras ou não. É óbvio que isso implica também em responsabilidades. E onde estaria o problema? A “democracia” valoriza o CONJUNTO, massacrando as particularidades de cada um. Isso sem contar os que ficam fora desse conjunto.

Enfim, essa é a minha ideia de governo democrático, um governo que torne cada cidadão autônomo.

Tentativas de auto-refutação

Posted: segunda-feira, 4 de julho de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , , ,
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- Você tinha me dito que nada mais importa neste mundo. O que aconteceu? O mundo passou a ser importante de repente, ou ele sempre foi?

- Não, o mundo nunca foi importante e continua não sendo. Mas as pessoas que estão nele são. E vivemos apenas para ver quem amamos morrer. Não acha isso injusto?

- Mas a morte é inevitável!

- Inclusive a minha?

- Sim, inclusive a sua!

- Então a morte seria a única coisa feliz na minha vida?

- Talvez. Mas e as pessoas que são importantes para você? Elas não te deixam mais feliz?

- Sim, deixam. Mas, e quando elas morrem?

- Perceba que você não pode evitar a tristeza.

- Posso evitar a minha, morrendo!

- E as pessoas que se importam com você?

- Você venceu!

O homem sem âncora

Posted: segunda-feira, 23 de maio de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , ,
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Eu não sabia o que escolher,
o receio era grande,
o momento era longo para eu ancorar-me.
Num minuto, eu queria sair por aí
(e ser o mundo);
no outro, queria ficar em casa
(só observando você).


Eu sabia de muitas histórias,
que a boca teimava em narrar,
e a cabeça insistia em calar.
Pela manhã eu queria o mundo escuro dos sonhos,
à noite, eu queria o mundo inquieto da luz e palavras.


Eu me sentia confortável na legalidade,
mas ser um beat excitava-me
(embora não parecesse).


Eu desejo tudo isso nesse instante,
e quando você acordar amanhã,
já estarei desprezando tudo o que consegui.
Envolvido em muitas coisas - cansado até a alma,
e amanhã cheirando a preguiça e tédio com o andar da coisa.


Será que realmente existe um estado de equilíbrio disso tudo?
Tentando a todo instante parar em algum lugar,
respirar o ar do momento!
Minha cabeça, como sempre, em preto e branco.
Ao entrar, penso em sair;
quando saio, canso-me.
O mundo e outro mundo - o meu mundo!

Perseguição e ajuste de contas

Posted: domingo, 22 de maio de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Nas últimas semanas, um determinado tema tem preenchido minha cabeça de forma quase tirânica: o Carpe diem, "Aproveite o dia". Tem aparecido pra mim de todas as formas, nos filmes apresentados e debates realizados em sala de aula, nas músicas, nas notícias, de todas as formas possíveis. Em sala assisti o filme "Sociedade dos Poetas Mortos", filme que aborda explicitamente esse tema; aí depois houve debate sobre esse filme e tal. Algumas músicas foram trabalhadas com esse assunto.

E outra, mais recente ainda, foi a especulação de que o fim do mundo seria ontem, 21/05. Para deixar bem claro: em nenhum momento acreditei que o tal arrebatamento seria nesse dia (e também não acredito nessas datas tiradas sabe-se lá d'aonde). Mas não nego que isso foi mais um estalo para o Carpe diem. Não para de me perseguir em nenhum momento, em nenhum lugar. Começo a pensar que vou enlouquecer com tudo isso.

De qualquer forma, fico imaginando o que será isso: se são apenas acontecimentos rotineiros ou sinais de aviso enviados por alguém desconhecido, ou uma espécie de loucura semelhante à vivida pelo jovem Raskólnikov, onde os fantasmas da consciência começam a me atormentar por não fazer o que já devia ter feito, o que devo fazer todos os dias despreocupadamente: aproveitar a vida. Seja lá o que estiver acontecendo comigo, eu devo começar a mudar já, antes que seja tarde demais; antes que eu me veja velho deitado numa cama de hospital, cercado por aquelas máquinas que nos ajudam a respirar. É preciso fazer algo, porque a morte não compreende que eu ainda tenho muito o que fazer aqui antes de partir e me transformar em fertilizante.

Agulhas

Posted: sábado, 16 de abril de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , ,
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Ontem do nada me apareceu uma febre e uma dor de garganta dos infernos, e estou com ela até agora. Sendo assim, tinha que tirar algum proveito desse meu estado debilitado. Então, apresento-lhes esse mais novo poema:



Uma bebida única
Uma bebida forte
É uma dor tremenda quando eu tenho que engoli-la
Tem um gosto horrível
Uma sensação aterrorizante
Como engolir mil agulhas
Agulhas descendo pela garganta
Cortando tudo que encontra goela abaixo
Rasgando todas aquelas cordas
Minando qualquer timbre que ali existir
E eu nem posso vomitar
Ou pôr pra fora
Pois é de uma dor desumana
Eu tenho que deixar ali, parada no estômago
E lá ficam as agulhas, picotando tudo
Absorvendo tudo,
Um falso nutriente.

Eu Rezo

Posted: sábado, 9 de abril de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , , , , , ,
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Eu rezo pelo dia em que acordarei a tempo de ver o sol nascer
Eu rezo pelo dia em que eu possa acordar descansado
Eu rezo pelo dia em que a cultura se desvinculará do capitalismo selvagem
Eu rezo pelo dia em que eu não precise sorrir
Eu rezo pelo dia em que nossos dias sejam únicos
Eu rezo pelo dia em que os medíocres não rezarão nunca mais
Eu rezo pelo dia em que não terei de engolir a Palavra
Eu rezo pelo dia em que eu possa sonhar surrealmente
Eu rezo pelo dia em que o mundo de cada um seja de Um
Eu rezo pelo dia em que eu possa acreditar no que eu quero
Eu rezo pelo dia em que o Progresso não dependa da Bolsa
Eu rezo pelo dia em que sejamos seguros na segunda família
Eu rezo pelo dia em que se pare de vender a desgraça
Eu rezo pelo dia em que não precisarei deixar um olho aberto
Eu rezo pelo dia em que o silêncio seja apenas silêncio
Eu rezo pelo dia em que os direitos estejam direitos
Eu rezo pelo dia em que eu possa descer do muro sem medo


Eu rezo por todos esses dias!

Adolescência. Adolescência na biblioteca.

Posted: quinta-feira, 17 de março de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , ,
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Eis a seguir um trecho de um livro do Bukowski que eu estou lendo, "Misto-quente":


"Descobri a Biblioteca Pública de La Cienega. Fiz um cartão de registro. A biblioteca ficava próxima à velha igreja descendo a West Adams. Era uma biblioteca bastante pequena e havia apenas uma bibliotecária trabalhando lá. Era classuda. Devia ter uns 38 anos, mas seus cabelos eram completamente brancos, presos num coque na altura do pescoço. Seu nariz era afilado, e ela tinha olhos de um verde profundo por trás dos óculos sem aros. Eu sentia que ela sabia tudo.
Eu caminhava pela biblioteca à procura de livros. Tirava-os das estantes, um a um. Mas todos não passavam de truques baratos. Eram de uma tolice sem fim. Páginas e mais páginas de palavras que não diziam nada. Ou, se diziam, levavam tempo demais para dizê-lo, e quando o faziam você já estava cansado demais para que tivesse importância. Tentei livro após livro. Claro, entre todos aqueles livros tinha que haver um.
Todo dia eu caminhava até a biblioteca seguindo a Adams e a La Brea e lá estava a minha bibliotecária: austera e infalível e silenciosa. Seguia retirando os livros das estantes. O primeiro livro de verdade que encontrei era de um sujeito chamado Upton Sinclair. Suas frases eram simples, e ele falava com raiva. Escrevia com raiva. Escrevia sobre as penitenciárias imundas de Chicago. Ele não fazia rodeios, dizia as coisas claramente. Então descobri outro autor. Seu nome era Sinclair Lewis. E o livro se chamava Rua principal. Ele descascava as camadas de hipocrisia que cobriam as pessoas. Parecia apenas que lhe faltava paixão.
Eu voltava para buscar mais. Lia um livro por noite.
Um dia, zanzando pela biblioteca, lançando uns olhares furtivos para minha bibliotecária, me deparei com um livro cujo título era Bow Down to Wood and Stone¹. Agora sim, esse era bom, porque isso era algo que todos fazíamos. Finalmente, algum fogo! Abri o livro. Era de Josephine Lawrence. Uma mulher. Tudo bem. Qualquer um pode adquirir cultura. Folheei as páginas. Mas eram iguais às dos outros livros: efeminadas, obscuras, tediosas. Coloquei o livro no lugar. E enquanto minha mão estava ali, peguei o livro mais próximo. Era de outro Lawrence. Abri o livro aleatoriamente e comecei a ler. Era sobre um homem ao piano. Num primeiro momento, como pareceu falso! Mas segui lendo. O homem ao piano estava perturbado. Sua mente dizia coisas. Coisas obscuras e curiosas. As frases na página estavam bem comprimidas, como um homem gritando, mas não como 'Joe, cadê você?'. Era mais como 'Joe, onde estão as coisas?' Esse era o Lawrence das frases comprimidas e sangrentas. Nunca tinha ouvido falar dele. Por que o segredo? Por que ele não era divulgado?
Eu lia um livro por dia. Li todo o D. H. Lawrence disponível na biblioteca. Minha bibliotecária começou a me olhar de modo estranho quando eu retirava os livros.
- Como você está hoje? - ela perguntava.
Aquilo sempre soava maravilhosamente bem. Era como se eu já tivesse ido para a cama com ela. Li todos os livros do D. H.. E eles me levaram a outros. A H. D., a poetisa. E a Huxley, o mais jovem dos Huxley, amigo de Lawrence. Todos vieram correndo até mim. Cada livro levava ao próximo.
Dos Passos veio na seqüência. Não era dos melhores, de fato, mas bom o suficiente. Sua trilogia sobre os Estados Unidos tomou mais de um dia para ser lida. Dreiser não me disse nada. Sherwood Anderson, sim. E então veio Hemingway. Que emoção! Ele sabia como escrever uma frase. Era um prazer. As palavras não eram tolas, as palavras eram coisas que podiam fazer sua mente zunir. Se você as lesse e deixasse que sua mágica operasse, era possível viver sem dor, sem esperança, independente do que pudesse lhe acontecer.

Mas de volta ao lar...
- LUZES APAGADAS! - gritava meu pai.
Agora eu estava lendo os russos, lendo Turguêniev e Górki. A regra de meu pai era que todas as luzes fossem apagadas até as oito da noite. Ele queria dormir para que pudesse estar bem disposto e pronto para o trabalho no dia seguinte. O único assunto de suas conversas em casa era "o trabalho". Falava de seu "trabalho" para minha mãe desde o momento em que entrava pela porta ao entardecer até a hora em que os dois iam dormir. Ele estava determinado a conseguir uma promoção.
- Tudo bem, chega desses malditos livros! Luzes apagadas!
Para mim, esses homens que haviam entrado em minha vida, vindos de lugar nenhum, eram minha única chance. Eram as únicas vozes que falavam comigo.
- Tudo bem - eu respondia.
Então eu pegava minha luz de cabeceira, me arrastava para debaixo das cobertas, puxava o travesseiro ali para baixo e lia cada novo livro, apoiando-o no travesseiro, sob as cobertas.
Ficava muito quente ali embaixo, a lâmpada esquentava, e eu sentia dificuldade em respirar. Era obrigado a erguer as cobertas para respirar.
- O que é isso? Estou vendo uma luz? Henry, sua luz está apagada?
Eu fechava rapidamente meu casulo e esperava pelo ronco do meu pai.
Turguêniev era um sujeito muito sério, mas ele podia me levar ao riso porque encontrar uma verdade pela primeira vez pode ser uma experiência muito divertida. Quando a verdade de outra pessoa fecha com a sua, e parece que aquilo foi escrito só para você, é maravilhoso.
Lia meus livros à noite, desse jeito, debaixo das cobertas com a lâmpada superaquecida. Lia todas aquelas belas frases enquanto me sufocava. Era mágico.

E meu pai tinha encontrado um emprego, e isso era mágico para ele..."

Eu já estou na metade do livro. Ele está cada dia melhor, e tem me deixado de boca aberta e sem ar, me comoveu por completo já! Recomendo a leitura.

¹ "Curvando-se diante da madeira e da pedra". Livro de 1938, não publicado no Brasil

Para o nonsense e avante...

Posted: domingo, 13 de março de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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(Atenção: os relatos a seguir podem não condizer exatamente com a realidade, são apenas resquícios de memórias noturnas e sem noção. Se você não está a fim de ler informações que não são plenamente concisas, saia imediatamente. Caso contrário, aí é com você...)

Eu precisava contar minha situação recente e ocasional para vocês, porque esses relatos não são muito confiáveis e compreensíveis no mundo lá fora, só têm espaço no mundo virtual, administrado por mim. Bem, vamos lá, isso são apenas rapsódias e portanto não há motivo para eu ficar enchendo linguiça.
Ultimamente tenho tido uns sonhos muito esquisitos. Totalmente sem noção. Coisas que nunca aconteceriam, nem na imaginação mais fértil do mundo, nem num filme surreal, nem naqueles programas de humor nonsense. Mas que têm sido frequentes na minha "Dream Land". Ali é perfeitamente normal ocorrerem coisas daquela natureza, é onde nem as ideias mais criativas reinam. E pior: algumas coisas não têm NENHUM relação como mundo real. Não dizem que o que você sonha é porque aconteceu alguma coisa no mundo real que despertou isso; alguma coisa a que seu sonho está intimamente ligado? Pois é. Às vezes isso ocorre, às vezes não. Como por exemplo, no meu aniversário, que eu sonhei que duas amigas minhas conversavam no sofá da minha casa, só que a voz delas travavam, igual a quando um CD trava e fica na mesma sílaba. Vai entender...

Não é uma coisa com a qual eu me preocupe, ou muito menos me incomode; pelo contrário: torço para que isso ocorra com mais frequência. Não é que eu seja um surrealista desmedido, não, eu tenho limites para isso, a questão é que eu desejo isso belo bem estar da minha sanidade mental. Se esses sonhos deixarem de surgir, eu vou enlouquecer, e no sentido literal da coisa. Também não é aqueles discursos clichês, "ah, eu preciso fugir da realidade, porque ela está horrível nos últimos tempos". É coisa séria. São os únicos momentos em que eu posso "deixar" - sim, entre aspas mesmo, pois eu não tenho controle sobre isso, felizmente! - minha imaginação correr solta, sem interferências, sem ninguém me criticando ou condenando, sem culpa.

No post anterior, eu falei sobre (o meu) minimundo, que é inacessível, só meu e tal. O mundo dos sonhos é provavelmente um dos lugares mais escondidos desse lugar, onde só entra qum eu permito. Ali não tem que invada. Só entra com o meu "passe". As coisas são assim.


E que minhas noites de son(h)o sejam cada dia mais sem noção...

Minimundo

Posted: quarta-feira, 9 de março de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , , ,
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Minimundo. Etimologicamente: um mundo numa versão menor. De acordo com a teoria de sistemas de informação, uma coletânea de dados no computador que representam implicitamente o mundo real. E minha definição, não conta? No mundo real não conta. É que minha definição de minimundo só existe no MEU minimundo. Uma coisa criada para si mesma. A minha definição não está "aqui" para atender anseios da ciência, apenas os meus, apenas tentar explicar ao mundo que mundo é esse em que vivo - mesmo que da forma mais abstrata possível.
O mundo lá fora? Ele existe sim, meu corpo está nele. A todo instante, aliás. Felizmente, existe algo que permite que meu corpo permaneça nesse mundo. Apenas meu corpo. E minha mente habite em meu minimundo. Sem que ambos se separem. Sem que eu tenha que receber a visita daquela senhora vestindo a última moda do coturno. Gosto desse possibilidade; e enquanto não receber essa visita, não abro mão de investigar as rapsódias desse mundo estranho e minimalista.
Se é assim que os outros desejam considerar, que eu seja egoísta. Porque eu não tenho mais saco para antender as expectativas do mundo. Já é difícil atender minhas criações, imagine a dos outros! Seria totalmente desgastante. Mas reconheço que há pessoas que merecem. O difícil é definir as pessoas dignas desse merecimento. Quais quesitos avaliar em cada. Poderia começar por aqueles que entendem O PORQUÊ do meu minimundo - só o porquê, porque exigir conhecê-lo é covardia. Seria ótimo não? Mas, se eu tô no meu minimundo, e não no mundo lá fora, que vai entender? E quem vai buscar, hein? Está tudo em jogo. Os livros, os sites, o que for. Está tudo lá. Só não vou dizer a página; quem quiser que vá atrás. E pra completar: esse 'livro' não vem com sumário, ou índice remissivo; então o indivíduo vai ter que ler o livro todinho pra tentar compreender e saber onde está o minimundo. Essas são as minhs regras. Nem se você as cumprir, você vai ter acesso total a esse meu espaço. Nem eu consigo/me atrevo a observar todo ele, imagine você, intruso.
O irritante é quando eu quero ir pro meu minimundo, e fica alguém me cercando no mundo lá fora. Aí entrar em lá de vez não dá, podem invadir meu minimundo, e isso é proibido.

É assim que as coisas (me) são.


P.S.: No meu minimundo não existe voz, apenas as palavras escritas. Voz é para o mundo lá fora.

A importância do ato de escrever

Posted: segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Outro dia um professor meu tava falando numa das aulas sobre a importância da contribuição de caras como Newton, Euclides, Euler e outros mais. Depois ele comentou: "Será que não havia ninguém como esses caras nessas épocas, capazes de descobrir tais 'respostas' e desenvolver teorias?" E logo depois, a resposta que me motivou a escrever isso: "Claro que pode ter existido alguém, mas eles não escreveram o que formularam. Newton desenvolveu suas leis e publicou-as. Isso foi o que fez a diferença".

De fato. Todos esses escreveram suas teorias e descobertas, seja em qual campo do conhecimento for. Isso me lembrou de uma ideia que já tenho há algum tempo: escrever meus pensamentos, minhas ideias, qualquer coisa que vier à cabeça. Sem precisar pensar muito, é possível perceber que esse blog tem justamente essa função: escrever o que se passa em minha cabeça - ou melhor, em parte dela, porque nem tudo vem pra cá! Eu tenho uns cadernos que também recebem meus pensamentos, a diferença entre eles e esse blog é aqui escrevo o que eu acho que pode ser colocado pro mundo, pode ser exposto.

Mas, afinal de contas, pra que escrever as coisas? Simples (ou não): não podemos deixar as palavras se perderam ao vento, quando faladas; ou nos confins do cérebro, quando pensada. Cada pensamento é uma preciosidade, mesmo que só pra você. Já imaginou se os grandes escritores, filósofos, cientistas, matemáticos, não registrassem seus achados, confiassem estupidamente na memória de um ser humano? Pense só como seria (só de imaginar já me dá uma angústia, perder todo esse conhecimento construído).Ou até mesmo que você nunca mais torne a ver suas anotações, é extremamente reconfortante, ou melhor, LIBERTADOR escrever o que lhe veio à cabeça. Já percebeu como é muito desconfortável você pensar em algo e ficar com isso na cabeça, torcendo para não esquecer? Ou deixar aquilo preso? É horrível, angustiante, e e alguns casos, desesperador.

Bom, depois disso, fica a "dica", pra quem quiser. Fica o que eu penso sobre escrever. E fica uma indagação nova:

Escrita, a salvação da física, química e outras dezenas de ciências?

Pensei, pensei, pensei

Posted: segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Tava aqui lendo umas coisas na gigantesca e constantemente em expansão rede mundial de dados, conhecida como internet - ou o nome que vc queira dar pra ela. Eram umas 5 e pouco da tarde. Aquele frio por causa da chuva, a tarde com uma cor esplendorosa (se essa palavra tiver errada me avisem, meu português tava meio parado esses dias) e tudo mais. Comecei a devanear e pensar na (minha) vida. Não pensei em nada específico, só sobre as ideias, eu, o Id. Pensei em mim, falando por alto. Não um pensamento decidido, quando me dei conta, já tinha pensado. Isso acontece comigo; nem me dou conta que sou alvo de mim mesmo. Pensei nos meus pensamentos, pensei nas minhas ideias, pensei nas minhas vontades, pensei no Eu. Pensei nas minhas razões em querer fazer uma (ou 2, ou 3, ou quantas desse vontade) tatuagem; pensei no que isso representa; pensei se ela(s) irá(ão) comportar alguma(s) ideologia(s), ou se é por puro oba-oba. Pensei no meu gosto por rock, aí lembrei mais uma vez que o herói do meu pai era (e é) Freddie Mercury, e que quando meus pais ainda eram casados - até os meus 7 anos - ele ouvia acho que todo dia Queen; novamente cogitei se esse meu gosto veio dele, se teria a ver com a tal da genética. De qualquer forma, é algo biológico, penso eu. Pensei no meu futuro; não planejando o tal, mas imaginando cores, formas e claro, PALAVRAS. Não pensei coisas exatas, apenas pensei, e é isso que importa nessa tarde fria e nonsense.

O espelho

Posted: domingo, 30 de janeiro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Ele um dia então decidiu
esconder sua felicidade,
apagá-la de vez dos registros.

Teria de se contentar 
com o espelho de Ojesed
Enlouqueceria
Se privaria
Esconderia
Apenas imaginaria
A vida vivida num espelho.

Seria uma vítima de Ludovico?
Negando-se a cada momento
Omitindo o desconhecido
O segredo impronunciável!

Volte tigre! Acabou o circo!!!
A vida e o espelho
A castidade e o travesseiro
A lembrança e o autoconhecimento
Eu e os culpados.

Chiaroscuro

Posted: quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , ,
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É uma já conhecida minha, mas parece que eu nunca a senti. É algo tanto estranho quanto velho 'amigo'. São muitas reviravoltas nesse pequeno universo de uma página. Engraçado, hoje choveu. Minha tarde e noite foram não perfeitas, mas agradáveis. E ao mesmo tempo estranhas. As sensações frente-a-frente.

De um lado, minha insustentável leveza, tornando-me aquele pássaro que canta alegremente sob a luz do alvorecer e do pôr-do-sol.
Do outro, minhas bufadas de cansaço e insatisfação com as autoridades, mostrando-me algo plenamente insustentável, e ingerível à força, porque digerir isso é foda!

Estamos pagando um salário para alguém que não trabalha. Eu mal recebo um salário para trabalhar. Estamos custeando o intercâmbio de seus filhos. Eles nem sequer nos dão um caderno para ir à escola.

(Pausa. Gostaria de registrar aqui uma palavras que escrevi hoje mais cedo. Uma ex-página em branco. Neste espaço, nada mais passa a fazer sentido. Pelo menos não o mundo. Essas linhas são como o Big Bang. Mais um universo. E como todo universo, uma hora a explosão se contrai. Talvez recomece; talvez não. Tudo depende de ocasiões, e pronto. Tudo começa, tudo termina. Continuemos.)

Eles acham que tudo isso é pouco. Eu acho que o meu é vazio. Quem sabe assim temos o branco e o cinza? O problema é o cinza: tem horas que ele quer ser o branco, e tem horas que ele quer ser o preto. Aí fica difícil. E pior: é um deles dois, só que vestido do outro.

Everything in it's right place? Maybe yes, Maybe not. Se for assim? Eu acho que não. E o que acharia um miúdo de gente? Tá bom, essa última pergunta foi meio ruim, mas fica a questão pra quem a desejar.

Tudo perece só aumentar no final das contas e impostos. E as bandeiras brancas continuam a ser hasteadas nessa época de mentiras brancas. Talvez eu não consiga, mas vou tentar apresentar minha verdade preta, pra ver se as coisas ficam meio cinzas (É porque eu acho que o arco-íris seria mais bonito se fosse em escalas de cinza).

E tudo fica cada vez mais branco, sabe? Bandeiras, lenços, paredes, páginas, retinas... Precisamos de focos escuros. Nothing in it's right place!



"There are two colours in my head
There are two colours in my head
What, what is that you tried to say?
What, what was that you tried to say?"

Feliz aniversário Clarice!

Posted: sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Hoje é 10 de dezembro de 2010. Hoje o dia começou com chuva em minha cidade. Uma sexta-feira. Perfeito! O último dia da semana começando com uma chuva. E não chove faz um tempo, posso dizer. E a chuva tem um significado filosófico pra mim. Pra mim não é apenas a água que sai das nuvens porque estas últimas saturam num detreminado momento. A chuva é um momento de reflexão para mim, um encontro com meu interior.
E descubro que hoje é aniversário de uma grande escritora - pra mim a maior - brasileira: Clarice Lispector. Não conhecço muito Clarice. Até agora só li um livro dela, o último, A Hora da Estrela. Mas fiquei maravilhado com aquele livro. O melhor livro que eu li esse ano, não só os trabalhados pela professora, mas no geral.
O jeito introspectivo, existencialista, mostrando que todos nós somos um mero acaso. Nascemos e pronto. Como podíamos muito bem não ter nascido. Morrermos no quarto mês de gravidez de nossa mãe. Ou poderíamos ser grandiosos, ou poderíamos ser um monte de coisas...
Aí de repente chove hoje. Imediatamente remeto à Macabéa, personagem principal de A Hora da Estrela, e a personagem menos notada da história. Ela não é importante, isso é fato. Assim como todos nós. Somo facilmente substituíveis, e passamos a vida inteira tentando mudar isso. Porque sem utilidade, somos o vácuo. Mas aí eu me dou conta de que eu não preciso ser útil pra ser feliz. A filosofia não tem utilidade (imediata), mas mesmo assim muitos a adoram! Não preciso estar pesado pra me dar conta de eu estou vivo! Basta eu estar cheio (não completo!), e mesmo assim eu serei leve.
É por isso que eu digo que Macabéa é uma de minhas heroinas.

Se Clarice ainda estivesse viva, estaria completando 90 anos hoje (10 de dezembro). Nos deixou vários livros. E não apenas isso. Mas também, eu acho, (anti-)herois plenamente substituíveis. É muito triste saber que ela se foi com um câncer inoperável no ovário, sim. Mas sinceramente, acho que se ela continuasse viva, ela teria se suicidado recentemente, pois as coisas estão absurdas.
Todo mundo acha que é mais especial do que o resto do mundo, ninguém se toca que somos só mais um entre 6 bilhões e meio. O mundo hoje insiste em sobreviver a todo custo, sem se importar com as condições dessa sobrevivência. E tudo e todos são explorados até secar! Ela não teria aguentado.

E viva Clarice!


P.S: Vejam o trecho de "A Hora da Estrela" que eu coloquei na seção Citações. Achei interessante colocar alguma citação dela.
P.S.2: Leiam A Hora da Estrela. É um livro maravilhoso, e você vai perceber o quanto "mais um" nós somos.

Desigualdade das dores fenecidas/Fetiche da dor/ Lágrima que correu porque não andou antes

Posted: sábado, 6 de novembro de 2010 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Poema escrito por mim (Luis Tertulino), Nayara Priscila e Hugo Telles. Esse poema foi escrito durante uma conversa de MSN, onde cada um foi falando um verso!

Que os sonhos derramem-se pelo tempo inexistente
e a raça humana se ponha em ternura abundante
que meus sorrisos não se revelem em um retrato
Retrato de dor frenética
a solidão inacabada dos homens
na solidão, alguns sonhos fumados
Fumaça de tristes nostalgias me tomam
corrompido por todas as tragédias, estou bem. Mas meus ossos ardem... não sei
perseguido pelo morcego, e ao acordar, as luzes da dor
Sombras dissipam-se em meus medos, tragédias antecedentes
E assombrado. Porque existe sim: infinito
Um infinito de beleza negra, pálida como o dia mais preguiçoso
Desse infinito existente dissolve-se dor e amor
Quebra-se o céu, a vida, a dor, sobra seus olhos como consolo do meu amor
amores e dores, ardores. Fedem. Não suporto e, curioso, parto para vê
um consolo de pavor, uma dor no ferro, uma ternura perdida, “sem saber pra onde ir”
Falece meus dias, deixem as negligencias da alma, partam como partem as almas
já não ouço mais clamores, e corro apressadamente ao ver que não vejo,que me veem 
[cansado por aí
cansado da alma no espelho, de dizer, “preciso de um corpo”
Entre a trégua da minha alma e meu espírito, choro como quem chora sem amor
andando por entres as estradas mais longas. Escuras, e lágrimas
uma lágrima tão sem vazão, um amor banhado na mágoa
Sentirei a dor da escolha de estar pisando em sangue e lagrimas
e tudo que era pra ser um dia no jardim, virou na chuva de minha glória
a glória dos meus dias de inferno e infernos
quando sua voz é falha, suas lagrima falaram pela dor em mim, choro por nao ser assim
o inferno de sonhar, um sonho cantado, uma canção pela lágrima, uma lágrima roubada
Sonhos encarecidos de você, Carência de fabulas, Dores de amores mal amados
uma corrente dando voltas pelo pescoço e me lançando longe
preso na corrente. sempre a mesma chuva. sempre a mesma dívida. uma lágrima. e só.
Quero cair no mar de lagrimas, o mar da desilusão crescente
Quando meus olhos não sustentam as lágrimas defasadas
quando meus pés não aguentam meu corpo ensaguentado
quando minhas mãos não toleram mais meu rio transbordado
quando minha mãos não suportam a dor de meu sangue misturado a lagrimas
quando sinto todos os pesos. Pesando sobre mim
Ta na hora de dobrar-me, que dissocie-se da alma a vida, que a respiração falhe na frase “te amo minha querida”

E ele ainda é tão só...

Posted: by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , ,
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Eu sinceramente não sei viver sem a solidão. É algo essencial ao meu organismo, assim como a água ou a Vitamina D - embora essa última eu dispense em certas ocasiões, principalmente quando estou só; nesses casos eu simplesmente não saberia VIVER sob o sol.
É vital principalmente para o meu espírito. Viajar para o meu próprio mundo de vez quando se faz necessário. Como essas duas entidades estão unidas - sabe-se lá como -, ambas se beneficiam do momento.

Pela primeira vez na via eu não me incomodei de lavar, enxugar e guardar a louça. Talvez tenha sido pelo fato de que eu coloquei um CD no aparelho de DVD daqui de casa - finalmente ouvi TODO o OK Computer, do Radiohead. Pode ser, não tenho certeza.
Em seguida CORRI para tomar AQUELE banho! A água descendo e escorrendo por você; fazer a barba adolescente aproveitando que você se ensaboou. Tudo isso com o álbum Pablo Honey - do mesmo artista - como trilha sonora.

Esses são os poucos momentos que eu fico a sós comigo mesmo. Na qual eu me desnudo de mim mesmo. Quase como trocar de pele! E pensar que será assim tbm no dia seguinte. Talvez não saiam daqui muitos sorrisos, até pq não é engraçado. O que não significa que seja feliz.
Cai no poço. O poço é muito, MUITO fundo. O que há no fundo do posso (isso mesmo, com dois esses!)? Tudo o que eu ponho pra fora! Medos, desejos, sons! Tudo o que (não) presta em MIM!!!

E agora eu posso sentir a fomo como algo do tipo 'em busca do prazer', e não como uma necessidade orgânica. Posso ouvir um disco inteiro sem me preocupar se alguém vai chegar e me interromper. Posso me jogar no mundo e ficar só, sem sair de casa, ou do quarto. Tenho o direiro/oportunidade de ficar acordado até a hora que desejar/o sono deixar.
É isso, cara. E nada mais. Por um instante só importa a mim e a minha gula, meus desejos e impulsos. Não estou nem aí se daqui a 10 horas o dia vai amanhecer. Porque quando isso acontecer, terei viajado para outro universo: o dos sonhos. E o mundo real continuará a não me importar.

(P.S: Esse texto foi escrito ao som de Green Day - American Idiot. Eu sabia MAIS OU MENOS a tradução de apenas UMA música, a primeira do álbum. Em termos de conteúdo, em nada influenciou, mas fica a dica.
P.S.2: Há aqui uns 'erros' de português. Como isso não é nada oficial, não vou me preocupar sob NENHUMA circunstância em qual linguagem escreverei meu texto. Não gostou, problema SEU!)

O meu melhor (I)

Posted: sexta-feira, 5 de novembro de 2010 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Só, e perseguido por muitos.
Uma interação mecânica.
Entra e depois sai,
e fica nisso.

No auge da sensibilidade,
um "bom dia!" e depois silêncio!
O conhecer para agora.

Uma lágrima devolvida ao cérebro
Uma fórmula para um tempo nublado
E assim vai.

Mas eu decidi voltar ao começo
Perceber que eu tenho pressa
Que o tempo não tá ajudando
Aprendi a sorrir,
com uma fita
"E o que tem de bom, custei a perceber
Tem toda a gana e o desejo de aprender
A não ressecar, mesmo sob o sol"

E ele ainda é tão só...
E ele ainda é tão só...