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Para os amigos!

Posted: sexta-feira, 16 de março de 2012 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Trecho de "On The Road", de Jack Kerouac, o mais belo e emocionante até agora. Dedicado aos meus amigos...


“Fundimos a cuca pensando pra onde ir e o que fazer. Eu tinha uma carreira bastante boa em andamento em NY e percebi que ia sobrar para mim ajudar Neal. Pobre, pobre Neal --- nem o Demônio tinha caído tão fundo; numa idiotia, com o dedo infeccionado, rodeado pelas malas maltratadas de sua vida febril e desamparada indo e vindo, pela América inúmeras vezes, um pássaro perdido, um bosta, dê seu preço e pegue o troco. ‘Vamos a pé até Nova York’ disse ele ‘e enquanto isso avaliamos tudo ao longo do caminho --- simm.’ Puxei meu dinheiro e contei; mostrei para ele. 2x. ‘Tenho aqui’ disse a quantia de oitenta e três dólares e uns trocados, e se você vier comigo nos mandaremos para Nova York --- e depois para a Itália.’ ‘Itália?’ disse ele. Seus olhos brilharam. ‘Itália simm --- como chegaremos lá, caro Jack?’ Meditei. ‘Arranjarei mais dinheiro, vou ganhar outros mil dólares e uns trocados. Vamos curtir todas as mulheres loucas de Roma, Paris, de todos aqueles lugares; vamos sentar nos cafés ao ar livre; vamos encontrar Burford, White Jeffries e viver nos cabarés. Por que não ir pra Itália?’ ‘Porque simm’ disse Neal e então percebeu que eu estava falando sério e pela primeira vez olhou para mim com o rabo do olhos, porque eu jamais havia me comprometido assim com sua pesada existência, e aquele era o olhar de um homem que pesava suas chances no último instante antes de fazer sua aposta. Naquele olhar havia júbilo e insolência, era um olhar diabólico, e ele pousou seus olhos em mim por um longo, longo tempo. Encarei-o e enrubesci. Falei ‘Qual é o problema?’ Me senti um traste ao fazer a pergunta. Ele não deu resposta e continuou me encarando com o mesmo canto de olho desconfiado e insolente. Tentei lembrar de tudo que ele tinha feito na vida e ver se não havia nada do passado que o deixasse desconfiado agora. Firme e resolutamente repeti o que havia dito - - ‘Venha para NY comigo, eu tenho dinheiro’. Olhei para ele; meus olhos estavam se enchendo de lágrimas e constrangimento. Ele continuava me fitando. Seus olhos agora estavam vazios e me atravessavam. Provavelmente foi o ponto crucial da nossa amizade quando ele percebeu que eu realmente tinha gasto alguma horas pensando nele e ele estava tentando catalogar isso em suas categorias mentais tremendamente confusas e complicadas. Algo estalou em nossas almas. Em mim foi a súbita preocupação com um homem anos mais moço que eu, cinco anos, & cujo destino estivera ligado ao meu no curso de anos nebulosos; nele era algo que só posso calcular pelo que fez depois. Ficou extraordinariamente satisfeito e disse que estava tudo combinado.”

O futuro começa devagar

Posted: sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Tava qui pensando em como começar esse texto, e aí me veio à pergunta-chave: por onde começar? No mundo em que estamos hoje, fazer(-se) uma pergunta dessa é de extrema importância. Chega ser até mesmo algo vital, necessário para se respirar. Start! Todos sabemos que vivemos num infeliz, cruel e desumano circulo vicioso de desumanidade, infelicidade e crueldade, e parece não existir um começo para a mudança. Se não há nem fim do túnel, quem dirá luz neste!

Não vou nem comentar a culpa disso tudo. Isso todos sabemos. O que importa no momento é como reverter toda essa situação. Minha mente está um tanto destruída, e eu não me importo. Só me interessa consertá-la, e nada mais.
E sabem de uma coisa? Já que a ordem é mudar o mundo, eu ouso começar acreditando que pode ser mudado. Acredito que eu dei o primeiro passo, agora é só esperar o momento certo de dar os próximos. Mas se nem todos ou mesmo ninguém concordar com isso, não faz mal. Não me importo. "You can blow what's left my right mind (I don't mind)".
Acredito que não podemos desistir de chegar onde queremos; nunca. E não venho aqui invocar aquele discurso clichê de lutar por nossos sonhos, porque isso é obrigação de todos. Me refiro a não desistir das coisas, das pessoas. Das pessoas principalmente. Não desistir de acreditar que alguém lhe dá bom dia pelo simples e belo fato de alguém realmente lhe desejar um bom dia. Ou uma boa tarde. Não desistir de acreditar que algum desconhecido fala com você apenas para lhe fazer uma pergunta, tirar alguma dúvida, descobrir porque afinal de contas entrou naquela fila quilométrica de atendimento no banco, e não para tirar alguma vantagem ou te tapear. São coisas assim que precisamos acreditar. Sei que é difícil e demorado; é por isso que existem as décadas e os séculos, para acomodar a mudança.
Falo de silêncio? De jeito nenhum. Precisamos falar, mais do que nunca, nesses tempos de redes sociais, 140 caracteres e mais uma infinidade de coisas. Abramos nossas bocas e falemos para o mundo! O tempo existe para acomodar a mudança; a voz para começá-la, realizá-la, concretizá-la de fato. Não venho desmerecer as redes sociais; de forma alguma. Sou fã assumido delas. São essenciais hoje em dias, levam nossa voz para qualquer parte do mundo. Acredito que é uma questão de saber usar. Só isso.
O mundo é ruim? É. O mundo precisa mudar? Precisa. Mudar é difícil? E como. Mas a mudança precisa começar por algum lugar. O mundo precisa deixar de ser um círculo. Ou pelo menos o que acontece nele. Let's start, humans!

Em tempo: como diria o The Kills:
"Eu nunca vou desistir de você
Se algum dia eu desistir de você meu coração certamente falhará"



I love you, I love you, I love you, What’s your name?

Posted: segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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você disse: “eu amo você”
você disse isso
você disse isso pra mim
você disso isso para ela e para ela também
e você repetiu isso para ela

você disse para ela: “Ohhh, sweet child o’mine”!
era verdade,
ou você apenas aprendeu a repetir essa frase?

você disse: “eu te amo”
e aí minha pele sentiu o seu amor
foi um beliscão e tanto, aquele
você achou que estava fazendo o necessário para mim

você chegou em casa
mais uma noite
sua boca estava adornada
(e com certeza assim também havia sido pouco antes)
e você tirava o adorno, para transformá-la em uma chaminé
onde estava o seu volante?
quem dormiu na sua direção?
você estava sem controle
não tinha como me enganar: aquilo não era água
eu já ia dormir,
mas tragicamente, ela ainda estaria acordada
o que tinha de errado com seus olhos?
você via tudo vermelho
ela com certeza não era toureira.

e aí você foi embora
você continuava dizendo: “eu te amo”
fóruns e juízes
”eu te amo”
eu me interessava pelo que você tinha
”eu te amo”
você teve que ir de novo
e bem depois eu ia lá algumas vezes
e você disse para ela: “eu não quero ver você nem pintada de ouro”
e eu parei de ir lá, pq você mais uma vez teve que ir
(acredite: eu lhe te entendi nas duas vezes que você foi)

eu nem te vejo mais
eu nem me importo mais
eu estou aqui
e você disse: “eu te amo”
e você continua dizendo: “eu te amo”.

O Retorno

Posted: quarta-feira, 16 de novembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Fim de tarde. Hora de retornar ao lar. Hora de ter o tão esperado descanso.
Um ônibus nem tão lotado, onde todos conversam, e eu fico em silêncio. Eu fico em silêncio com a cara na janela, olhando a vegetação arruinada; olhando pro nada, sem procurar por alguma coisa; sem procurar alguém conhecido nas poucas casas que aparecem no caminho.
E há tantas luzes, muitas luzes. Já escureceu. E para esse momento servem as luzes: para iluminar a cidade que se também começa a se recolher aos seus lares - claro que nem toda a cidade: essa ainda vai ferver por alguma horas. No alto de algum lugar, vendo as várias luzes da cidade. E como elas brilham! Um grande cobertor dourado. Eu não vejo nada ou ninguém, só aquele ouro brilhante, revelando toda a noite; iluminando toda um fim de dia.
E ainda nos últimos resquícios de pôr-do-sol, uma estrela brota como uma espinha no céu - tão chamativa! Ela provavelmente não me leva a lugar algum; ela com certeza não indica o caminho da salvação da humanidade, mas ela sempre estará ali. O que não quer dizer que isso signifique alguma coisa. Ela apenas está ali, como todas as outras estrelas, brilhando, até o dia da sua morte, até o dia da escuridão.
E todos os dias esse cobertor estará brilhando a ouro; todos os dias aquela "espinha brilhante" estará lá no céu; e todos os dias eu voltarei para casa, com a cabeça recostada na janela de vidro do ônibus, vendo todo esse cenário.

Dinheiro: solução e problema

Posted: sexta-feira, 7 de outubro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , ,
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Já assistiu a um telejornal, de qualquer emissora, especialmente à noite? Se você é uma pessoa "sensata", provavelmente sim. E qual o tema que domina nesse veículo de comunicação de informação tão importante? A crise financeira mundial. Está em todo canto, pois é um problema muito grande que as "grandes potências" mundiais estão enfrentando, e que parece ser impossível de se resolver.
Antes que você pense que vim aqui para expor alguma "solução miraculosa", engana-se: eu não entendo nada disso; esses números para mim não fazem sentido algum; são coisas complicadas demais para eu entender; e eu não tenho saco para economia. Sei que esse "descaso" é algo ruim para mundo, pois mantêm o controle dos bancos mundiais, FMIs e o escambau, mas falemos sério: quem têm paciência de lidar com todas aquelas contas? Ninguém, eu imagino. Quem trabalha com isso deve enfrentar muitos problemas mentais - na verdade, já está com um pelo simples fato de querer trabalhar com isso -, pois é enlouquecedor todos os dias pessoas quebrarem suas cabeças com cotações monetárias, transações bancárias e etc. Estão vendo, eu sei tão pouco sobre finanças que não sei nem o que faz o pessoal que trabalha com isso.
Falam-se em juros, inflação, controle de gastos; e eu, alheio a tudo isso, tentando aproveitar o pouco de sanidade que me resta.
Aí, vendo isso, pensei em uma coisa. O dinheiro foi criado há muito tempo pelo homem para facilitar o comércio realizado. Como? Por incrível que pareça, é bastante simples de se entender. Na época, as pessoas adquiriam coisas trocando outras. Você trocava uma quantidade de arroz por uma quantidade de feijão. No entanto, havia uma coisa que tornava tudo mais complicado: quantos quilos de arroz "custavam" um quilo de feijão? Quantas galinhas eram necessárias trocar para se conseguir um porco? Ou seja, era muito complicado determinar um valor para as coisas. Aí veio o dinheiro, uma unidade que quantizava especificamente o valor de algum coisa, tornando o comércio mais fácil e mais rápido. Uma das maiores invenções, sem dúvida.
Mais aí, aconteceu alguma coisa, que eu não faço ideia do que seja, tornou o dinheiro símbolo de poder. Aí, em busca de poder, as pessoas queriam comprar mais, e mais, e mais, E MAIS... Acho que foi aí que surgiu o capitalismo, ACHO. Passou-se a depender do dinheiro para tudo, até mesmo para se estabelecer relações sociais. O dinheiro passou a ser a base de tudo. Dinheiro igual a poder. E a sede de poder da humanidade existe desde quando Adão decidiu experimentar a maçã para ser como deus. Até que a coisa evoluiu ao ponto das pessoas se preocuparem com o dinheiro ao ponto de criarem a "ciência do dinheiro" - coloquei aspas aqui porque não é exatamente isso, mas bem que poderia ser, e na verdade é, mas deixa para lá - para estudarem tudo que não existia, para criarem soluções para problemas que não existiam na época, e assim foi com muitas coisas, mas vamos falar apenas do dinheiro. Tudo girava agora em torno do dinheiro. até mesmo o caráter. Dinheiro = pessoa de bem. Fata dele = pessoa suspeita. E não me venham me dizer que não é assim, porque é e todos nós sabemos disso muito bem.
E vejam só, parece que eu tenho, afinal, uma ideia: abolir o capitalismo. Eu sei, parece ser meio radical, e eu até posso estar enganado, mas você tem uma ideia melhor? E não estou falando em uma ideia para combater a crise, e sim em uma ideia para recobrar a dignidade (e a sanidade) das pessoas, e para que o dinheiro volte a ser apenas um auxílio para as pessoas comprarem seu feijão na feira sem muita dificuldade.

01:03

Posted: sábado, 3 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Quase uma da manhã, e cá estou eu nesse lugar semi-habitado. Estou com fome, o sono vem de leve e o tédio insiste para que eu saia daqui. E ainda por cima não tenho nada para escrever, nenhuma ideia legal, diferente de ontem (ou antes de ontem, sei lá!). E como resultado, sai essa TOSQUEIRA IMUNDA MEDÍOCRE DE PSEUDO-ESCRITOR. Mas que se foda, ninguém vai ler mesmo! Que se exploda quem vier me julgar - ninguém virá, embora eu quisesse, só pra arranjar briga no twitter.

Cansado de todas as músicas por hoje, mas meus ouvidos precisam de som quase o tempo todo. Essa coisa de necessitar ouvir música quase que constantemente às vezes é uma merda total. Eu fico sem saber o que ouvir. MAS QUE SE FODA DE NOVO, NINGUÉM TÁ INTERESSADO NOS MEUS PEQUENOS DRAMAS INDIVIDUALISTAS. Foda-se todo mundo!

Mas aí eu vou levando as coisas do jeito que dá, e que SE DANE o que vier pela frente.
Isso mesmo, palavrões em CAPS LOCK, porque a vida sem eles fica só o Num Lock: sem destaque algum e algo comum.

(Acabei de ver que já passa da uma da manhã, mas que SE DANE de novo!)

Mais alguma observação pra eu escrever palavrões?
Não??
Então, FODA-SE!!!

Os demônios e os homens

Posted: sexta-feira, 2 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Podemos dizer, para começar, que um dos regentes da humanidade é a preocupação. E dela derivam a angústia, o medo e, num estágio bem avançado, o desespero. E ao falar em desespero, me lembro quase que automaticamente do Raskolnikov (se a grafia dele não for exatamente essa, perdoem-me), o jovem desesperado, culpado e auto-perseguido protagonista do épico "Crime e Castigo", que vê até mesmo no nascer do sol (isso é um resumo-hipérbole da narrativa psicológica da obra) o delator de seu duplo crime - ele assassina uma velha agiota e logo em seguida a filha da mesma, esta última vítima não planejada que estava no lugar errado e na hora errada. Todos os humanos se preocupam com alguma coisa, seja essa coisa algo extremamente fútil ou algo de vital importância. O fato é que ninguém vivem em paz. Sempre há algo nos desvirtuando da serenidade. Isso sem falar dos medos, uma notável marca humana.
Tudo isso nos persegue, cerca-nos. Podemos chamar de demônios. Para os estúpidos conservadores de plantão, não me refiro a Lúcifer, sagaz em adquirir almas para o seu submundo. Demônios, seres obscuros. É isso, coisas obscuras que todo mundo consegue - às vezes consegue, às vezes não. Cada um tem um demônio particular, semelhante ao de alguém, mas único de alguma maneira.. Esses demônios provocam uma série de reações: tiram nosso sono, nos deixa aflitos, tira nossa atenção. Nos tira do caminho, de fato. É uma coisa toda muito louca.
Aí, só resta a cada um esconder seus demônios. Quase sempre por vergonha. Não serei hipócrita e dizer que não tenho e não escondo os meus: eu tenho muitos, alguns eu guardo pra mim mesmo, e tento conviver com eles, porque essa é a única solução. Saber lidar com eles é a chave. Bater um papo com eles e dizer "olha, isso não foi legal, então precisamos mudar ou pelo menos melhorar isso" ajuda bastante. Isso não matará as criaturas obscuras, mas criará uma relação sadia com o deu Id. O problema está quando ignoramos, reprimimos, ou até mesmo encarceramos esses demônios. Eles vão tentar - e vão conseguir, mais cedo ou mais tarde - se libertar. As consequência serão desastrosas. E você não estará pronto para enfrentar isso. O começo de tudo será o próprio medo. Quem não se lembra de Nina Sayers, protagonista do também épico filme "Cisne Negro"? O filme conta o desafio de Nina em interpretar o Cisne Negro, sensual e sedutor, antagônico a Nina, pura e inocente. Ela começa a delirar com a pressão que está enfrentando com esse papel, e tudo porque reprime seu lado obscuro.
Um futuro pode ser a ditadura, a repressão. Você ignorou alguma caraterística de si, e então quer que todos comportem-se da mesma maneira que você. Você é algo equivocado, deixe-me substituir por NÓS. Tudo mundo faz isso. Todo mundo se envergonha de algo e não aceita aquilo em outra pessoa. Essa é a lógica do "exorcismo".
Acho que por enquanto é apenas isso. Essa é uma ideia que tem passado pela minha cabeça faz um tempo, e precisava desenvolvê-la em algum momento. Ninguém é obrigado a concordar com isso, são apenas ideias. Mas pelo menos tenham algum argumento para criticar, pois poderei concluir que isso não passa de uma repressão.


P.S: Assistam Cisne Negro. É um filme fantástico. Infos aqui

P.S.2: Leiam Crime e Castigo. Tenta mostrar o que leva a pessoa a cometer um crime e o que acontece com essa pessoa posteriormente de forma marcante, envolvedora, e dolorosa. Infos aqui

o velho leon e natália em coyoacán

Posted: quinta-feira, 1 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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desta vez não vai ter neve como em petrogrado aquele dia
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando

nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando

não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando

nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo


Paulo Leminski

CLAMAMOS POR QUALIDADE NA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Posted: quarta-feira, 24 de agosto de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Ao ouvirmos frases como “O alicerce do país é a educação”, “A valorização do professor é fundamental para o desenvolvimento educacional”, não há como nos enganarmos: estamos falando de eleições. Os discursos políticos vêm carregados de questões sobre a melhoria do quadro atual da educação; pois a consideramos um dos setores mais importantes para o desenvolvimento da nação.
É inegável que, por meio da produção do conhecimento, um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Qual mãe ou pai desse país não deseja que seus filhos tenham oportunidades que eles não tiveram? Qual pai ou mãe que nunca falou que o melhor meio de vida digno é através da educação? Quem nunca ouviu das pessoas mais vividas que o conhecimento é o maior bem da vida, o único que iremos levar pra sempre e que não há quem tome?
É fato que o cenário da educação tem melhorado nos últimos anos. As instituições de ensino – fundamental, médio e superior – tornaram-se locais importantes para ascensão social e muitas famílias têm investido com esperança; o que gerou melhorias significativas para a população, principalmente a que tem menos poder aquisitivo. Contudo, ainda há muito para ser feito: somente 5% do PIB (Produto Interno Bruto) é investido na educação e não há valorização dos seus profissionais. Além disso, vê-se a educação como um “gasto” e não como um investimento, pois os resultados aparecem em longo prazo e para os políticos, que administram por quatro anos, calçar uma rua renderá mais votos para reeleição.
Por meio deste texto, nós, alunos e servidores do IFRN/Campus Ipanguaçu, comunicamos à sociedade que 192 campi dos institutos federais de educação estão em greve, reivindicando melhores condições para a educação. Nós pomos nosso senso crítico e político em prática, apoiando a causa dessa greve, por reconhecermos a necessidade de cobrar respeito do governo federal e um tratamento digno com a educação pública de qualidade. Aproveitamos também para nos solidarizarmos com os servidores do governo estadual, pois a UERN está em greve reivindicando mudanças na postura do governo Rosalba. São estes, os nossos governantes, os reais responsáveis por esse prejuízo causado à sociedade.
Todos nós merecemos, precisamos e acima de tudo temos “direito” a uma educação de qualidade, a um emprego decente, saúde, uma casa pra morar e chamar de nossa. E queremos deixar bem claro que apesar das coisas nesse país caminharem por vontades e apadrinhamentos políticos, nós não estamos pedindo favores e sim cobrando o que é nosso por direito. E é um crime que não tenhamos! Onde está a democracia? Afinal, que país é este?
É comum quando há greve a sociedade associar aos integrantes sinônimos como “vagabundos”, que “não querem trabalhar, que só querem saber do bolso deles” e tantas outras coisas... Contudo, o que não se sabe são as reais causas desse movimento e a responsabilidade acaba ficando com os envolvidos nele. Mas, ironicamente, o professor é o responsável para melhorar a cidadania. Mas, reflitamos! Esses servidores são profissionais, assim como médicos, juízes e também batalharam, estudando como eles. Então, por que eles são os mais desvalorizados? Antes de serem profissionais, será que eles não são pessoas que tem necessidades básicas como todos?
Sociedade, precisamos acordar para as injustiças que são propagadas onde vivemos! A responsabilidade em ter uma educação de qualidade não está exclusivamente no profissional da educação. Está nas administrações públicas, sejam quais forem. Por isso, temos que cobrar deles soluções para o problema, que não é apenas de quem estuda no IFRN, pois somos privilegiados se nos compararmos às demais instituições de ensino. Mas não queremos privilégios que só atingem a uma parte da população; queremos o cumprimento desses direitos para todos!
As reivindicações propõem a retomada dos recursos públicos, com o fim das terceirizações (que por sinal, sai muito mais caro para o governo, logo para o nosso bolso!); a valorização dos profissionais da educação, com a reestruturação das carreiras e reajustes de salários bases (o que implica na qualidade da educação, pois como queremos uma educação de qualidade com profissionais que não sejam bem remunerados?). Inclusive, vulgarizou-se o papel do professor, pois com todas essas questões que envolvem a educação e com os salários que são pagos, a população já tem receio em relação a essa profissão, levando à evasão de profissionais de qualidade na área da educação.
Outra questão é contra os projetos de lei que congela gastos com servidores e serviços públicos, estabelece avaliação para demissão dos servidores, criarem fundos privados de previdência no serviço público e demais projetos que estão em tramitação no congresso para tirar direitos adquiridos. Finalmente, no último ponto que ressaltamos, retira a estabilidade do servidor público, dando margem a manipulações e subordinações que levam à repressão da autonomia.
Portanto, é diante dessa situação da educação brasileira que estamos em greve, pois clamamos por qualidade da educação já! Se um país se desenvolve sem educação de qualidade, os serviços públicos dependerão da boa vontade dos políticos e a sociedade nunca terá autonomia. Dessa forma, as mudanças que o João, a Maria e você que está lendo essas palavras desejam nunca acontecerão.
É por isso que estamos em GREVE, pois embora nós, atualmente no IFRN, tenhamos uma educação pública diferenciada, queremos garantir que essa qualidade seja mantida e continue em desenvolvimento. Para tanto, é preciso que o governo não pare com os investimentos. Mas, reiteramos que o que queremos garantir é uma perspectiva que seja boa para todos. E isso se chama educação e democracia.

Alunos e Servidores do IFRN, Campus Ipanguaçu

O Muro

Posted: domingo, 7 de agosto de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Casas, belas casas, casas sujas;
Casas expostas, casas com muros;
Muros altos, muros baixos, muros largos -
muros de todos os tipos e formas.


Criados para proteção - eu devo ter muita coragem
Criados para introspecção - talvez eu seja extrovertido
Tudo um monte de mentira - ou eu não tenho muros
Não tenho? Esse poema é decorrente de um muro;
Um muro com portões?

Tudo estava tão vulnerável - não me julgue!
Certas coisas devem ser desconhecidas.
E são tantos segredos!
Segredos que vão se acumulando com o tempo.

Momentos, instantes - compõem a vida.
Momentos passam - duram um instante.
Este é o momento - isto é um instante.
O momento do muro passou - 
embora eu saiba que ele seja reconstruído tijolo por tijolo.
Mas esse é o momento fora do muro - a derrubada do muro
Este muro estava ficando gigantesco
E o portão de acesso também
Agora é mais fácil entrar
Mas felizmente só o que está fechado pode ser aberto
Essa é a salvação.

Equilíbrio humano

Posted: sexta-feira, 22 de julho de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Definitivamente eu preciso encarar minhas dificuldades e obstáculos com mais serenidade e calma. Perante qualquer problema – seja ele grande ou pequeno – eu começo a me preocupar, me desesperar mesmo. Respiração alterada; pensamentos em desordem; falta de raciocínio; quase um pavor. Tudo parece fugir do meu controle; tudo parece dar errado. Parece até que estou destinado a não descansar, ou pelo menos a não poder fazer isso. Minha sede de movimento e atividade faz com que eu seja atarefado demais; até meus divertimentos se acumulam, disputando espaço com minhas obrigações. Preciso aprender a medir meu tempo, aprender a recusar certas coisas, manter meu foco nas obrigações. Prometi a mim mesmo no início deste ano que faria as coisas com mais responsabilidade, mas não estou cumprindo com a promessa, ao que parece. Tenho que usar essas férias para recobrar esse “foco perdido”, direcionar minha atenção para uma coisa de cada vez, e claro, saber lidar com as adversidades da vida, os perrengues do acordar-dormir. Se a vida fosse realmente só acordar-dormir, não haveria todos esses problemas, mas com certeza também não haveria como me divertir, respirar e, no final de tudo, tirar sarro e rir de todas essas atribulações. Sim, rir de tudo isso; rir da vida. Eu enlouqueceria se fizesse tudo mecanicamente, de boca fechada. Quanto a isso, culpo meus amigos. Rimos das cruzes que carregamos. Aposto que se Jesus tivesse dado umas boas risadas dos que o condenaram, a Via Crucis teria sido uma bela e agradável caminhada antes do sacrifício. Tá bom, isso foi um pensamento mal colocado, mas a ideia é o que está lá. É preciso saber lutar de bom grado com a vida. Será meu desafio (um dos vários) nos próximos meses, anos.