Dinheiro: solução e problema

Posted: sexta-feira, 7 de outubro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , ,
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Já assistiu a um telejornal, de qualquer emissora, especialmente à noite? Se você é uma pessoa "sensata", provavelmente sim. E qual o tema que domina nesse veículo de comunicação de informação tão importante? A crise financeira mundial. Está em todo canto, pois é um problema muito grande que as "grandes potências" mundiais estão enfrentando, e que parece ser impossível de se resolver.
Antes que você pense que vim aqui para expor alguma "solução miraculosa", engana-se: eu não entendo nada disso; esses números para mim não fazem sentido algum; são coisas complicadas demais para eu entender; e eu não tenho saco para economia. Sei que esse "descaso" é algo ruim para mundo, pois mantêm o controle dos bancos mundiais, FMIs e o escambau, mas falemos sério: quem têm paciência de lidar com todas aquelas contas? Ninguém, eu imagino. Quem trabalha com isso deve enfrentar muitos problemas mentais - na verdade, já está com um pelo simples fato de querer trabalhar com isso -, pois é enlouquecedor todos os dias pessoas quebrarem suas cabeças com cotações monetárias, transações bancárias e etc. Estão vendo, eu sei tão pouco sobre finanças que não sei nem o que faz o pessoal que trabalha com isso.
Falam-se em juros, inflação, controle de gastos; e eu, alheio a tudo isso, tentando aproveitar o pouco de sanidade que me resta.
Aí, vendo isso, pensei em uma coisa. O dinheiro foi criado há muito tempo pelo homem para facilitar o comércio realizado. Como? Por incrível que pareça, é bastante simples de se entender. Na época, as pessoas adquiriam coisas trocando outras. Você trocava uma quantidade de arroz por uma quantidade de feijão. No entanto, havia uma coisa que tornava tudo mais complicado: quantos quilos de arroz "custavam" um quilo de feijão? Quantas galinhas eram necessárias trocar para se conseguir um porco? Ou seja, era muito complicado determinar um valor para as coisas. Aí veio o dinheiro, uma unidade que quantizava especificamente o valor de algum coisa, tornando o comércio mais fácil e mais rápido. Uma das maiores invenções, sem dúvida.
Mais aí, aconteceu alguma coisa, que eu não faço ideia do que seja, tornou o dinheiro símbolo de poder. Aí, em busca de poder, as pessoas queriam comprar mais, e mais, e mais, E MAIS... Acho que foi aí que surgiu o capitalismo, ACHO. Passou-se a depender do dinheiro para tudo, até mesmo para se estabelecer relações sociais. O dinheiro passou a ser a base de tudo. Dinheiro igual a poder. E a sede de poder da humanidade existe desde quando Adão decidiu experimentar a maçã para ser como deus. Até que a coisa evoluiu ao ponto das pessoas se preocuparem com o dinheiro ao ponto de criarem a "ciência do dinheiro" - coloquei aspas aqui porque não é exatamente isso, mas bem que poderia ser, e na verdade é, mas deixa para lá - para estudarem tudo que não existia, para criarem soluções para problemas que não existiam na época, e assim foi com muitas coisas, mas vamos falar apenas do dinheiro. Tudo girava agora em torno do dinheiro. até mesmo o caráter. Dinheiro = pessoa de bem. Fata dele = pessoa suspeita. E não me venham me dizer que não é assim, porque é e todos nós sabemos disso muito bem.
E vejam só, parece que eu tenho, afinal, uma ideia: abolir o capitalismo. Eu sei, parece ser meio radical, e eu até posso estar enganado, mas você tem uma ideia melhor? E não estou falando em uma ideia para combater a crise, e sim em uma ideia para recobrar a dignidade (e a sanidade) das pessoas, e para que o dinheiro volte a ser apenas um auxílio para as pessoas comprarem seu feijão na feira sem muita dificuldade.

Agosto 1964

Posted: segunda-feira, 26 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas:
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Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
         mercados, butiques,
viajo
         num ônibus Estrada de Ferro - leblon.
         Volto do trabalho, a noite em meio,
         fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeu, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
         que a vida
         eu compro à vista aos donos do mundo.
         Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.

         Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
         Do salário injusto,
         da punição injusta,
         da humilhação, da tortura,
         do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato

um poema
uma bandeira

[Ferreira Gullar]

UM MÊS DEPOIS...

Posted: quarta-feira, 21 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas:
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Pra quem não sabe, o servidores federais da educação aqui do Brasil estão em greve há mais de um mês (não detenho dados exatos, mas é por aí), E NINGUÉM NOS DÁ (sim, uso o 'nos' pq muitos de nós alunos tbm têm se manifestado a favor dos servidores) A DEVIDA ATENÇÃO!!! Dilma nem txuíu pra ninguém. NOBODY!!! A mídia é outra que nos ignora, ESPECIALMENTE A TELEVISÃO, GRANDE DETENTORA DA MASSA DE COMUNICAÇÃO (felizmente, isso está mudando, e as pessoas estão cada vez mais se informando em mais locais - VIDE INTERNET -, mas isso é assunto pra discutir em outro momento). Enquanto o governos NOS (reitero o uso do 'NOS' pq isso tbm afeta NÓS alunos) ignora, enriquece banqueiros, empresas privadas (VIDE MULTINACIONAIS EXPLORADORAS DA MÃO-DE-OBRA SEMI-ESCRAVISTA BRASILEIRA, que NÃO PAGAM UM CENTAVO de imposto) e países capitalistas (VIDE EUA). Enquanto a mídia ignora NOSSOS manifestos (sim, professores e alunos organizaram manifestos em prol da EDUCAÇÃO em TODO O BRASIL), "noticia" coisas inúteis, como dicas ridículas para emagrecer antes do próximo verão (como se aquelas pessoas patéticas que aparecem nas reportagem MAIS PATÉTICAS AINDA não se entupissem de cerveja nos fins de semana).

E é assim que a coisa anda, MAIS DE UM MÊS DEPOIS...

Longe de uma postura egoísta, queria fazer a seguinte declaração:

EU NÃO AGUENTO MAIS FICAR SEM AULA; SEM ACORDAR CINCO E VINTE DA MANHÃ PRA IR PARA AQUELA ESCOLA, TER AULAS E PAPOS COM EXCELENTES PROFESSORES/AMIGOS; SEM TER QUE ESTUDAR NOS FINS DE SEMANA PARA ALGO INTERESSANTE QUE O PROFESSOR EXPLICAVA NA AULA DA SEXTA-FEIRA; SEM FREQUENTAR A MINHA CASA - como diz o slogan, "Minha casa, minha vida"!

Então, DONA PRESIDENTA, EXIGIMOS (não estamos aqui pra pedir, você trabalha pra gente, sacou como é q funciona a coisa?) que você dê atenção às REIVINDICAÇÕES DOS SERVIDORES PÚBLICOS DA EDUCAÇÃO FEDERAL, e principalmente, atenda as tais, e pare de dizer nas campanhas e propagandas do governo federal que a educação está melhorando, porque você NÃO NOS ENGANA MAIS. As coisas parecem que estão bem, mas isso não é totalmente verdade. Trate de agir que temos pressa. O BRASIL TEM PRESSA!!!

mais pesado, menos respiração

Posted: quinta-feira, 15 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas:
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Saiba que esse seu papo de colaboração entre a sociedade não cola mais comigo. Todos os dias há uma coisa nova a se resistir. Juntos não adianta mais de muita coisa, embora eu ainda queira me aliar a alguém. Todos os dias uma nova separação, todos os dias uma nova correria. E ninguém parece saber disso.
E não há mais poemas, porque não há mais tempo de ver o próprio rosto refletido na água. O tempo acabou faz tempo. Agora só nos resta esperar por um milagre. Estamos totalmente separados, e parece que tudo vai acabar no próximo instante. Nós iremos acabar. Não era para ser essa a nossa história. E agora muitos estão se aliando equivocadamente. E eu nem posso culpá-los: o trauma é grande. O trauma é desconhecido. Todos tinham um nome e todos rezavam. E quando se acabam as rezas, o que resta a se fazer, a não ser juntar-se ao raptor. E nenhum milagre. Nenhum milagre existe, na verdade. Eles não podem esquecê-los, a marca é muito profunda para se conseguir dormir a noite e não lembrar que foi (e é) um refém.
Estamos totalmente abandonados. Não posso culpar quem esquece, o sofrimento é desumano!
São tempos de não parar para observar o mar passar, porque o mar não está para se rolhado, e sim navegado.
Repito: estamos separados, e não mais há amor para resistir, não há mais lugar para se esconder, nem aquele escapismo mundano nos copos. Todo mundo é procurado em todos os lugares, a todos os momentos, e o tempo está acabando. Isso não é nosso destino; então, como assinar?
É fato que não podemos mudar muita coisa, nem nós mesmos, porque nada mais está em nossas mãos. Só nos resta contar com o acaso. Sim, a sorte finalmente parece existir. Era isso mesmo que vocês queriam? A sorte? Aí está a nossa sorte, o nosso azar. Não é tempo de mudança, mas eu, tolamente, espero que algo se transforme a nosso favor. não é uma questão de ignorar as frases de antigamente, é questão de impotência mesmo. Todos estamos impotentes. é por isso que precisamos estar juntos, podemos não ser invencíveis juntos, mas separados somos só o acaso. De fato, não há muito o que se perder. Inclusive já estou com falta de ar. Minha respiração está alterada. Não, não está tudo bem. Nada está bem. Nós temos que ser os melhores, e ainda tentar mudar o mundo. Essa é a nossa missão. Os demônios agora vêm de fora, os demônios estão cada vez mais assustadores. Todas as esquinas são assustadoras. Qualquer coisa pode ser o nosso fim, e nada mais. É isso o que se passa em nossas cabeças. Não há mais nada depois. E ainda temos que vender nossa desgraça em uma bela pintura para sobreviver com ajuda da pena dos outros, dos ditos preocupados conosco.
A regra é o segredo total. Ninguém sabe como estamos. Ninguém deveria saber onde estamos. Não há como resistir, e tudo isso vai acabar. E talvez depois só haja o silêncio.

01:03

Posted: sábado, 3 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Quase uma da manhã, e cá estou eu nesse lugar semi-habitado. Estou com fome, o sono vem de leve e o tédio insiste para que eu saia daqui. E ainda por cima não tenho nada para escrever, nenhuma ideia legal, diferente de ontem (ou antes de ontem, sei lá!). E como resultado, sai essa TOSQUEIRA IMUNDA MEDÍOCRE DE PSEUDO-ESCRITOR. Mas que se foda, ninguém vai ler mesmo! Que se exploda quem vier me julgar - ninguém virá, embora eu quisesse, só pra arranjar briga no twitter.

Cansado de todas as músicas por hoje, mas meus ouvidos precisam de som quase o tempo todo. Essa coisa de necessitar ouvir música quase que constantemente às vezes é uma merda total. Eu fico sem saber o que ouvir. MAS QUE SE FODA DE NOVO, NINGUÉM TÁ INTERESSADO NOS MEUS PEQUENOS DRAMAS INDIVIDUALISTAS. Foda-se todo mundo!

Mas aí eu vou levando as coisas do jeito que dá, e que SE DANE o que vier pela frente.
Isso mesmo, palavrões em CAPS LOCK, porque a vida sem eles fica só o Num Lock: sem destaque algum e algo comum.

(Acabei de ver que já passa da uma da manhã, mas que SE DANE de novo!)

Mais alguma observação pra eu escrever palavrões?
Não??
Então, FODA-SE!!!

Os demônios e os homens

Posted: sexta-feira, 2 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Podemos dizer, para começar, que um dos regentes da humanidade é a preocupação. E dela derivam a angústia, o medo e, num estágio bem avançado, o desespero. E ao falar em desespero, me lembro quase que automaticamente do Raskolnikov (se a grafia dele não for exatamente essa, perdoem-me), o jovem desesperado, culpado e auto-perseguido protagonista do épico "Crime e Castigo", que vê até mesmo no nascer do sol (isso é um resumo-hipérbole da narrativa psicológica da obra) o delator de seu duplo crime - ele assassina uma velha agiota e logo em seguida a filha da mesma, esta última vítima não planejada que estava no lugar errado e na hora errada. Todos os humanos se preocupam com alguma coisa, seja essa coisa algo extremamente fútil ou algo de vital importância. O fato é que ninguém vivem em paz. Sempre há algo nos desvirtuando da serenidade. Isso sem falar dos medos, uma notável marca humana.
Tudo isso nos persegue, cerca-nos. Podemos chamar de demônios. Para os estúpidos conservadores de plantão, não me refiro a Lúcifer, sagaz em adquirir almas para o seu submundo. Demônios, seres obscuros. É isso, coisas obscuras que todo mundo consegue - às vezes consegue, às vezes não. Cada um tem um demônio particular, semelhante ao de alguém, mas único de alguma maneira.. Esses demônios provocam uma série de reações: tiram nosso sono, nos deixa aflitos, tira nossa atenção. Nos tira do caminho, de fato. É uma coisa toda muito louca.
Aí, só resta a cada um esconder seus demônios. Quase sempre por vergonha. Não serei hipócrita e dizer que não tenho e não escondo os meus: eu tenho muitos, alguns eu guardo pra mim mesmo, e tento conviver com eles, porque essa é a única solução. Saber lidar com eles é a chave. Bater um papo com eles e dizer "olha, isso não foi legal, então precisamos mudar ou pelo menos melhorar isso" ajuda bastante. Isso não matará as criaturas obscuras, mas criará uma relação sadia com o deu Id. O problema está quando ignoramos, reprimimos, ou até mesmo encarceramos esses demônios. Eles vão tentar - e vão conseguir, mais cedo ou mais tarde - se libertar. As consequência serão desastrosas. E você não estará pronto para enfrentar isso. O começo de tudo será o próprio medo. Quem não se lembra de Nina Sayers, protagonista do também épico filme "Cisne Negro"? O filme conta o desafio de Nina em interpretar o Cisne Negro, sensual e sedutor, antagônico a Nina, pura e inocente. Ela começa a delirar com a pressão que está enfrentando com esse papel, e tudo porque reprime seu lado obscuro.
Um futuro pode ser a ditadura, a repressão. Você ignorou alguma caraterística de si, e então quer que todos comportem-se da mesma maneira que você. Você é algo equivocado, deixe-me substituir por NÓS. Tudo mundo faz isso. Todo mundo se envergonha de algo e não aceita aquilo em outra pessoa. Essa é a lógica do "exorcismo".
Acho que por enquanto é apenas isso. Essa é uma ideia que tem passado pela minha cabeça faz um tempo, e precisava desenvolvê-la em algum momento. Ninguém é obrigado a concordar com isso, são apenas ideias. Mas pelo menos tenham algum argumento para criticar, pois poderei concluir que isso não passa de uma repressão.


P.S: Assistam Cisne Negro. É um filme fantástico. Infos aqui

P.S.2: Leiam Crime e Castigo. Tenta mostrar o que leva a pessoa a cometer um crime e o que acontece com essa pessoa posteriormente de forma marcante, envolvedora, e dolorosa. Infos aqui

o velho leon e natália em coyoacán

Posted: quinta-feira, 1 de setembro de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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desta vez não vai ter neve como em petrogrado aquele dia
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando

nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando

não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando

nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo


Paulo Leminski

CLAMAMOS POR QUALIDADE NA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Posted: quarta-feira, 24 de agosto de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Ao ouvirmos frases como “O alicerce do país é a educação”, “A valorização do professor é fundamental para o desenvolvimento educacional”, não há como nos enganarmos: estamos falando de eleições. Os discursos políticos vêm carregados de questões sobre a melhoria do quadro atual da educação; pois a consideramos um dos setores mais importantes para o desenvolvimento da nação.
É inegável que, por meio da produção do conhecimento, um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Qual mãe ou pai desse país não deseja que seus filhos tenham oportunidades que eles não tiveram? Qual pai ou mãe que nunca falou que o melhor meio de vida digno é através da educação? Quem nunca ouviu das pessoas mais vividas que o conhecimento é o maior bem da vida, o único que iremos levar pra sempre e que não há quem tome?
É fato que o cenário da educação tem melhorado nos últimos anos. As instituições de ensino – fundamental, médio e superior – tornaram-se locais importantes para ascensão social e muitas famílias têm investido com esperança; o que gerou melhorias significativas para a população, principalmente a que tem menos poder aquisitivo. Contudo, ainda há muito para ser feito: somente 5% do PIB (Produto Interno Bruto) é investido na educação e não há valorização dos seus profissionais. Além disso, vê-se a educação como um “gasto” e não como um investimento, pois os resultados aparecem em longo prazo e para os políticos, que administram por quatro anos, calçar uma rua renderá mais votos para reeleição.
Por meio deste texto, nós, alunos e servidores do IFRN/Campus Ipanguaçu, comunicamos à sociedade que 192 campi dos institutos federais de educação estão em greve, reivindicando melhores condições para a educação. Nós pomos nosso senso crítico e político em prática, apoiando a causa dessa greve, por reconhecermos a necessidade de cobrar respeito do governo federal e um tratamento digno com a educação pública de qualidade. Aproveitamos também para nos solidarizarmos com os servidores do governo estadual, pois a UERN está em greve reivindicando mudanças na postura do governo Rosalba. São estes, os nossos governantes, os reais responsáveis por esse prejuízo causado à sociedade.
Todos nós merecemos, precisamos e acima de tudo temos “direito” a uma educação de qualidade, a um emprego decente, saúde, uma casa pra morar e chamar de nossa. E queremos deixar bem claro que apesar das coisas nesse país caminharem por vontades e apadrinhamentos políticos, nós não estamos pedindo favores e sim cobrando o que é nosso por direito. E é um crime que não tenhamos! Onde está a democracia? Afinal, que país é este?
É comum quando há greve a sociedade associar aos integrantes sinônimos como “vagabundos”, que “não querem trabalhar, que só querem saber do bolso deles” e tantas outras coisas... Contudo, o que não se sabe são as reais causas desse movimento e a responsabilidade acaba ficando com os envolvidos nele. Mas, ironicamente, o professor é o responsável para melhorar a cidadania. Mas, reflitamos! Esses servidores são profissionais, assim como médicos, juízes e também batalharam, estudando como eles. Então, por que eles são os mais desvalorizados? Antes de serem profissionais, será que eles não são pessoas que tem necessidades básicas como todos?
Sociedade, precisamos acordar para as injustiças que são propagadas onde vivemos! A responsabilidade em ter uma educação de qualidade não está exclusivamente no profissional da educação. Está nas administrações públicas, sejam quais forem. Por isso, temos que cobrar deles soluções para o problema, que não é apenas de quem estuda no IFRN, pois somos privilegiados se nos compararmos às demais instituições de ensino. Mas não queremos privilégios que só atingem a uma parte da população; queremos o cumprimento desses direitos para todos!
As reivindicações propõem a retomada dos recursos públicos, com o fim das terceirizações (que por sinal, sai muito mais caro para o governo, logo para o nosso bolso!); a valorização dos profissionais da educação, com a reestruturação das carreiras e reajustes de salários bases (o que implica na qualidade da educação, pois como queremos uma educação de qualidade com profissionais que não sejam bem remunerados?). Inclusive, vulgarizou-se o papel do professor, pois com todas essas questões que envolvem a educação e com os salários que são pagos, a população já tem receio em relação a essa profissão, levando à evasão de profissionais de qualidade na área da educação.
Outra questão é contra os projetos de lei que congela gastos com servidores e serviços públicos, estabelece avaliação para demissão dos servidores, criarem fundos privados de previdência no serviço público e demais projetos que estão em tramitação no congresso para tirar direitos adquiridos. Finalmente, no último ponto que ressaltamos, retira a estabilidade do servidor público, dando margem a manipulações e subordinações que levam à repressão da autonomia.
Portanto, é diante dessa situação da educação brasileira que estamos em greve, pois clamamos por qualidade da educação já! Se um país se desenvolve sem educação de qualidade, os serviços públicos dependerão da boa vontade dos políticos e a sociedade nunca terá autonomia. Dessa forma, as mudanças que o João, a Maria e você que está lendo essas palavras desejam nunca acontecerão.
É por isso que estamos em GREVE, pois embora nós, atualmente no IFRN, tenhamos uma educação pública diferenciada, queremos garantir que essa qualidade seja mantida e continue em desenvolvimento. Para tanto, é preciso que o governo não pare com os investimentos. Mas, reiteramos que o que queremos garantir é uma perspectiva que seja boa para todos. E isso se chama educação e democracia.

Alunos e Servidores do IFRN, Campus Ipanguaçu

Democracia vs. Anarquia. (Ou não)

Posted: terça-feira, 23 de agosto de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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O poder feito para todos e por um conjunto certamente é tirânico. Tudo bem, são apenas divagações repentinas, sem nenhum preparo antecipado. É a tal da democracia. Até onde eu me lembro, é uma forma de governo onde se leva em consideração a vontade de todos. Ou melhor, da maioria. Mas será que vivemos realmente em uma democracia? Será que as ideias e os anseios de todos, absolutamente todos, são levados em consideração? A resposta: de jeito nenhum. Não é segredo para ninguém que muita gente é ignorada nos projetos políticos. Mas ainda assim essa ideia de “democracia” ainda é cultuada em grande parte do mundo – imagino eu.

E qual seria a razão disso? Acredito eu que haja várias. No Brasil, talvez seja pelo fato de, depois de mais de vinte anos de um regime militar ditatorial, a ideia de eleições diretas proporcionar para muita gente a sensação de liberdade. E talvez seja isso mesmo. Ou talvez não. Não sei explicar ao certo. São apenas ideias embrionárias, mas vamos em frente. O fato de muita gente poder escolher diretamente o seu representante, gera um conforto enorme, as pessoas sentem que têm algum valor.

Mas, e por que isso não seria uma democracia? Simples. Para mim (e essa é uma ideia recente) não há democracia sem uma anarquia individual. E o que seria essa “anarquia individual”? Seria uma pessoa sem nada nem ninguém a controlando. Ela seria livre para tomar suas próprias decisões, fazer suas próprias escolhas. Além disso, cada pessoa teria suas próprias ideias, semelhantes umas às outras ou não. É óbvio que isso implica também em responsabilidades. E onde estaria o problema? A “democracia” valoriza o CONJUNTO, massacrando as particularidades de cada um. Isso sem contar os que ficam fora desse conjunto.

Enfim, essa é a minha ideia de governo democrático, um governo que torne cada cidadão autônomo.

O Muro

Posted: domingo, 7 de agosto de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Casas, belas casas, casas sujas;
Casas expostas, casas com muros;
Muros altos, muros baixos, muros largos -
muros de todos os tipos e formas.


Criados para proteção - eu devo ter muita coragem
Criados para introspecção - talvez eu seja extrovertido
Tudo um monte de mentira - ou eu não tenho muros
Não tenho? Esse poema é decorrente de um muro;
Um muro com portões?

Tudo estava tão vulnerável - não me julgue!
Certas coisas devem ser desconhecidas.
E são tantos segredos!
Segredos que vão se acumulando com o tempo.

Momentos, instantes - compõem a vida.
Momentos passam - duram um instante.
Este é o momento - isto é um instante.
O momento do muro passou - 
embora eu saiba que ele seja reconstruído tijolo por tijolo.
Mas esse é o momento fora do muro - a derrubada do muro
Este muro estava ficando gigantesco
E o portão de acesso também
Agora é mais fácil entrar
Mas felizmente só o que está fechado pode ser aberto
Essa é a salvação.

Equilíbrio humano

Posted: sexta-feira, 22 de julho de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , ,
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Definitivamente eu preciso encarar minhas dificuldades e obstáculos com mais serenidade e calma. Perante qualquer problema – seja ele grande ou pequeno – eu começo a me preocupar, me desesperar mesmo. Respiração alterada; pensamentos em desordem; falta de raciocínio; quase um pavor. Tudo parece fugir do meu controle; tudo parece dar errado. Parece até que estou destinado a não descansar, ou pelo menos a não poder fazer isso. Minha sede de movimento e atividade faz com que eu seja atarefado demais; até meus divertimentos se acumulam, disputando espaço com minhas obrigações. Preciso aprender a medir meu tempo, aprender a recusar certas coisas, manter meu foco nas obrigações. Prometi a mim mesmo no início deste ano que faria as coisas com mais responsabilidade, mas não estou cumprindo com a promessa, ao que parece. Tenho que usar essas férias para recobrar esse “foco perdido”, direcionar minha atenção para uma coisa de cada vez, e claro, saber lidar com as adversidades da vida, os perrengues do acordar-dormir. Se a vida fosse realmente só acordar-dormir, não haveria todos esses problemas, mas com certeza também não haveria como me divertir, respirar e, no final de tudo, tirar sarro e rir de todas essas atribulações. Sim, rir de tudo isso; rir da vida. Eu enlouqueceria se fizesse tudo mecanicamente, de boca fechada. Quanto a isso, culpo meus amigos. Rimos das cruzes que carregamos. Aposto que se Jesus tivesse dado umas boas risadas dos que o condenaram, a Via Crucis teria sido uma bela e agradável caminhada antes do sacrifício. Tá bom, isso foi um pensamento mal colocado, mas a ideia é o que está lá. É preciso saber lutar de bom grado com a vida. Será meu desafio (um dos vários) nos próximos meses, anos.

Dois jovens

Posted: terça-feira, 12 de julho de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Eram dois jovens, apenas dois jovens
Dois jovens como qualquer um
Ambos estavam em busca de um tesouro
Um tesouro perdido pelo mundo
(e de repente descobrem que tudo estava perdido pelo mundo,
inclusive eles)
Quem precisava de dignidade
quando tinha o mapa do tesouro?
Quando tinha o mapa do mundo?
Quem precisava do mundo
quando se tinha um lar?
Agora todos estão vivendo no mundo.

Agora eles estavam em busca do troféu
(o troféu mais dourado)
E se gabavam
Gabavam-se;
Nem sabiam do que os aguardava durante o sono.

Os dois jovens sapiram em busca do tesouro perdido
Encontraram o mundo
Viveram no mundo
Agoram fitam absortos as luzes no teto -
perderam a lua:
Mataram a lua - quem ainda sabia respirar e dormir?
Quem sabia dormir ainda?
Quem sabia silenciar o próprio nome?
Todos dormiam acariciados pelos próprios pensamentos
Alguém ainda se lembra do Folêgo do Sono?

Decidiram convocar as chamas;
Elas perguntaram:
"Do que as garotas precisam?"
Nem repiraram para exigir seus troféus -
Essencialmente precedidos.
Os guerreiros viriam ao amanhecer
A tropa a postos
Ofuscando umm dos poucos e verdadeiros milagres
Um milagre que nem pelos magos
Eram encantados
Um milagre por si só.

Partiriam pelo mundo
Vivendo no mundo -
mais uma vez.
Várias pessoas. Várias casas.
Deles.
Inclusive os troféus.
Menção - foram mencionados
Soberbas barreiras brancas de falsidade e felicidade
Uma barreira que ficava cada vez menos fechada
Golfando o ar
E sempre querendo mais.

Quem se lembrava dos dois jovens?
Não havia mais dois jovens
Um jovem e outro jovem
Um velho e outro velho -
qual a diferença?
Lares de fogo
Lares de lágrimas
Lares por aí
Lares de vergonha
Lares deles.

E nem pararam um instante para descansar e repirar
E se controlar.

Tentativas de auto-refutação

Posted: segunda-feira, 4 de julho de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , , ,
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- Você tinha me dito que nada mais importa neste mundo. O que aconteceu? O mundo passou a ser importante de repente, ou ele sempre foi?

- Não, o mundo nunca foi importante e continua não sendo. Mas as pessoas que estão nele são. E vivemos apenas para ver quem amamos morrer. Não acha isso injusto?

- Mas a morte é inevitável!

- Inclusive a minha?

- Sim, inclusive a sua!

- Então a morte seria a única coisa feliz na minha vida?

- Talvez. Mas e as pessoas que são importantes para você? Elas não te deixam mais feliz?

- Sim, deixam. Mas, e quando elas morrem?

- Perceba que você não pode evitar a tristeza.

- Posso evitar a minha, morrendo!

- E as pessoas que se importam com você?

- Você venceu!

O dia em que eu vi que estava errado (e fiquei feliz por isso)

Posted: quinta-feira, 23 de junho de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: , , , ,
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Ontem aconteceu uma coisa muito importante em minha vida. Tudo começou quando eu e meus amigos combinamos de irmos todos juntos para o show de Zé Ramalho aqui em Assú, um show aberto e tudo mais. São João e tal. Decidi que iria para passar (mais) alguns momentos com eles e também porque já tinha ouvido falar bem do cara. Enfim, chegamos no local pouco depois das onze da noite, eu um pouco cético com a coisa toda; minhas vivências com o São João de Assú foram desagradáveis, pessoas bebendo, música ruim, a decadência humana perante os meus olhos.
Entretanto, ontem tudo foi totalmente diferente pra mim. Pela primeira vez na vida, vi alguém com uma música de verdade cantar naquele lugar. Um parêntese: anualmente, no período de São João, há shows de várias bandas, cantores, etc. todos os dias, shows abertos para todo mundo, embora ainda haja os camarotes. Todo o meu ceticismo foi pelo ralo quando Zé Ramalho começou a cantar. Eu não conhecia nenhuma música dele em específico. Já tinha ouvido um ou outro refrão na vida, mas sem saber que era dele, muito menos saber o título da música. Então tudo seria mais contemplativo, eu pararia para ouvir a música com enorme atenção, para perder o mínimo possível.
Foi um pouco tenso estar ali´num show ouvindo uma música pela primeira vez, mas eu viajei naquele timbre de voz. E que timbre! Ele cantava com um vigor impressionante, um punk nordestino (rs), acompanhado por instrumentais a la Bob Dylan. Foi exatamente isso que eu ouvi ontem/hoje (a festa terminou aproximadamente a 1 da madrugada). Um verdadeiro forró, e não apenas isso, tinha algo diferente ali (talvez tenha sido o tal "punk nordestino" de que falei agora há pouco).
Após o show, eu e alguns amigos fomos no parque de diversões. Voltamos logo depois para onde estávamos. Uma banda com um som daqueles que eu repudio tava tocando. Começou a ficar chato e entediante. Sintomas: eu iria ficar olhando a hora a cada minuto, torcendo sonhadoramente para já estar tarde o suficiente. E já estava: eram 2 da manhã quando fui embora, mas o resto do pessoal ficou lá.
Sair naquele momento foi importante, pois se eu continuasse ali, toda a diversão anterior não teria valor, mais uma noite desagradável em minha vida. Saí de lá com a alma lavada,, bastante feliz e alegre, e com a certeza de que eu não era mais o mesmo, de alguma forma.

Despreocupadamente

Posted: terça-feira, 7 de junho de 2011 by Luis Tertulino in Loucuras usadas: ,
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Tava aqui no computador ouvindo músicas e tal, aí de repente me veio um turbilhão de pensamentos sobre o que eu escrevo aqui neste blog; e não só no blog, mas também nos meus cadernos e arquivos de computador. Percebi que ora eu escrevo sobre o que se passa no mundo lá/aqui (???) fora, os problemas do mundo; ora eu escrevo sobre mim mesmo, sobre os pensamentos mais obscuros e sem noção que permeiam minha cabeça. É algo extremamente complicado de lidar; é uma dualidade por vezes aterrorizante; quando escrevo sobre o mundo, penso que é algo clichê, sem graça já; quando escrevo sobre mim, fico com um peso enorme na consciência, achando que deixei o mundo de lado pra me preocupar com meu egoísmo.
O fato é que eu nunca estou satisfeito com aquilo que escrevo - às vezes até mesmo com aquilo que faço - e que eu tenho que aceitar que esse é um fardo a ser carregado por uma amante da escrita como eu. Me lembro de Drummond (alguém me mande pra guilhotina por me comparar à Drummond!), que também nunca estava satisfeito com seus poemas, permeando entre o individualismo e a poesia social, e acabou criando o que se chamou de "poesia familiar". Mas não vamos entrar na questão teórica da literatura dele. O que está em questão é que eu tenho um problema a ser corrigido.
Penso agora que talvez isso não seja um problema (veem? já estou discordando do que acabei de escrever!); talvez não seja uma coisa ruim permear entre o "eu" e o "mundo". Acredito que o importante seja se reinventar a cada texto novo; nunca banalizar a sua escrita por causa de temas repetidos. Imagine que sempre que eu fosse escrever sobre o mundo, falasse sempre das pessoas que passam fome. Ia ficar uma coisa monótona, e isso é chato. Eu quero mais são textos em preto e branco, o contraste, que é extremamente delicioso de se escrever. A ironia e dualidade da vida. Ir fazendo sem racionalizar o que está escrevendo; deixar as coisas fluírem no seu curso normal e desembestado. E os outros que arquem com as consequências. Não sou eu que estarei lendo este blog, então, tô nem aí. Cansei de ficar me preocupando se o que eu escrevo é adequado ou não; se está soando muito piegas ou mesmo clichê, como já falei. Não me recordo se já coloquei ou não algum palavrão em algum desses textos aqui publicados, mas no dia que der vontade de colocar...

Então, eu fico aqui não me importando nem um pouco sobre como vai soar o texto. Texto é texto, e tem vida própria; eu sou apenas o pai, meu trabalho é simplesmente fazê-lo (rs)!